DIFERENCIAÇÃO PELA QUALIDADE: DUAS HISTÓRIAS DE SUCESSO.

Globalfood,  25 de março de 2020

Laticínios

   Um leite de extremada qualidade com total rastreabilidade.
E a escolha de um mercado novo, a dos leites A2A2.
Conheça aqui a história de duas empresas clientes da Globalfood
e que estão fazendo a diferença em seus modelos de negócios.

 Uma produção leiteira de pequeno a médio porte pede uma atuação em mercado de nicho? Sim ou não?  No caso dos Laticínios Fiore, do Espírito Santo, a resposta é afirmativa e mostra um dado interessante: não foram eles que procuraram seu mercado especializado, mas sim o mercado que os encontrou. Tudo nasceu da dedicação da família Corteletti ao leite…

“Somos uma empresa familiar que começou com meu sogro, como um produtor dedicado exclusivamente ao leite de qualidade A”, afirma Marina Corteletti, gerente industrial do laticínio. “Hoje nossos vinte mil litros de leite por dia, rebanho próprio e a certeza de uma qualidade superior em nossa produção são fatores percebidos pelo mercado. A certificação Kosher foi um dos resultados naturais de um consumidor que, cada vez mais, quer ter a qualidade assegurada. Por isso, algumas vezes por ano, o rabino responsável pela inspeção nos visita e dá a certificação. Com isso a Fiore participa desse mercado que preza pela rastreabilidade e pelo bem estar animal, conceitos que agora, uma fatia muito mais ampla da sociedade ambiciona ter”, complementa Marina. Ou seja: mais crescimento em vista para a Fiore.

“O mercado está sempre em mudança. O consumidor vai evoluindo todo o tempo. Hoje as pessoas querem muito ter em casa produtos que tenham uma origem garantida e, produtos que tenham uma história para contar”, afirma Marina.

A Fiore possui hoje um portfólio amplo com mais de 40 produtos. São reconhecidos pelo mercado como uma empresa de extrema qualidade em razão da superioridade do leite e pela qualidade dos processos e dos desenvolvimentos. “Fomos pioneiros no queijo frescal sem lactose – o segundo laticínio a fazer esse produto no país. Apesar de sermos pequenos, nossa linha é ampla e conta com queijos como o Cotagge, Cream Cheese e tantos outros. Todos desenvolvimentos feitos junto com a Globalfood. E agora estamos rumando para uma linha de Kefirs, Wheys e Leites fermentados, também idealizados conjuntamente com a Globalfood”, complementa Marina.

NOVA TENDÊNCIA NA FIORE: O LEITE A2 A2:

A Fiore acaba de ganhar a certificação A2 A2, de leites que se caracterizam por uma alta digestibilidade. É uma novidade no Brasil e eles devem ganhar mais mercado, por este protagonismo. O Leite A2 A2 é produzido por vacas com uma genética própria (geralmente de origem zebuína, mas não somente) e que produzem um leite com proteínas de mais fácil digestão. Essas vacas tem de ser examinadas em sua genética e comprovada a qualidade específica do leite. Uma solução que olha pelas pessoas que têm alergia a leite, ou seja, mais um nicho cada vez maior do mercado. É uma grande novidade. A Fiore deve colher bons frutos dessa iniciativa.

 LEITE LETTI, O FRESCOR ENTREGUE EM CASA.

Essa é uma história que fala de tradição e modernidade. Pelo lado da tradição,  a Fazenda Agrindus produz leite desde 1945 e possui 250 funcionários, algumas dessas famílias já na 5a geração trabalhando na fazenda. Agora quer saber sobre modernidade? Em dois mil hectares de propriedade, eles têm o maior rebanho de vacas holandesas registrado no Brasil: 1850 vacas em lactação. Além de terem certificados como o Selo Verde e o BDK Chalav Yisrael, que são indicações expressivas de cuidados com a qualidade e a sustentabilidade.

A Agrindus, desde 2007, lançou no varejo a marca Letti, com uma missão ousada: encurtar a distância entre o campo e a mesa do consumidor, oferecendo produtos frescos e de alta qualidade. “Produzimos leite tipo A, leite fermentado, creme de leite fresco, iogurtes e coalhada, e nosso objetivo é fazer com que o brasileiro retome a sensação de frescor do leite com o grande diferencial de ser a primeira marca no Brasil a oferecer uma linha completa naturalmente de fácil digestão pelo fato de todos os produtos conterem em sua composição natural apenas a proteína A2”, explica Diana Jank, responsável pela área de Experiência do Consumidor na empresa.

LEITE A2: UM NOVO NICHO DE ATUAÇÃO

O diferencial de ofertar o Leite A2 para seus consumidores foi uma decisão recente e estratégica. Como já mencionado anteriormente, o leite A2 não contém a proteína beta-caseína A1, identificada em diversos estudos como uma proteína que não é tão facilmente digerida pela grande maioria das pessoas. Dessa forma, todos os produtos Letti são naturalmente de fácil digestão por conterem apenas a proteína A2, a mesma encontrada no leite materno. A Fazenda Agrindus foi absoluta pioneira no Brasil em voltar todo seu rebanho para a produção do leite A2.

SABOR DE SUSTENTABILIDADE

Outro ponto de destaque da Letti é a preocupação socioambiental. Tanto que a empresa detém o SELO VERDE: “O Selo verde é a eco-etiqueta que atesta a qualidade ecológica, socioambiental, do produto ou serviço que tem o apoio da sociedade civil. É fornecida para empresas que compartilham periodicamente, por meio de pesquisa, que seus ciclos de vida são amigáveis para o planeta e a vida que nele habita”, explica Diana.

O fato da empresa receber certificação para produtos Kosher, também é outro indicativo da qualidade dos processos e dos cuidados da empresa: “Nossos produtos seguem o conceito Kosher, usado dentro da comunidade judaica mundial, como uma garantia de qualidade de alimentos supervisionados por um rabino ou rabinato, o que o torna alimento autorizado para consumo dentro das normas religiosas, conforme as leis judaicas”, complementa Diana. Essa é uma outra vantagem competitiva pois o mercado sabe que produtos com certificação Kosher  vem com indicação de origem, rastreabilidade, respeito ao trabalhador e boas práticas com o rebanho.

Se a Fazenda Agrindus já tinha sua fama, por décadas, desde 2007 a Letti”, sua marca premium, vem ganhando cada vez mais notoriedade.

OS LEITES A2A2: SELEÇÃO GENETICA E DE VOLTA AO PASSADO.

No passado, há coisa de século atrás, o leite bovino tinha mais semelhança com o leite materno.  Principalmente em relação às proteínas chamadas beta-caseína que respondem por 30% do total de proteínas do leite. Historicamente as vacas produziam leite que continha somente a versão A2 dessa proteína. Mas com o passar do tempo, pelas mudanças nas linhagens genéticas do rebanho, o leite passou a ter muito mais a versão A1.

DIFERENCIAÇÃO PELA QUALIDADE:

DUAS HISTÓRIAS DE SUCESSO.

Detalhe: a digestão da beta-caseína A1 é mais difícil e traz para quem tem sensibilidade a ela, distúrbios gástricos e muitos tipos de mal-estar que inúmeras vezes eram confundidas (e ainda são) com intolerância à lactose.

Até que, no ano 2000, um cientista da Nova Zelândia, Dr Corrie McLaughlan percebeu o fato e evidenciou para o mundo que a genericamente chamada ‘intolerância à lactose’ poderia ser somente o mal estar causado pela beta-caseína A1. Ele descobriu também que havia ainda a possibilidade de seleção genética dos rebanhos, de modo a obter somente leite com beta-caseína A2. E em cima de suas descobertas fundou a “A2 Milk Company”.

Foi uma pequena revolução. E a partir daí criou-se, no mundo, todo um movimento de produtores de leite interessados em resgatar o leite A2A2. E assim está nascendo um novo nicho de mercado. Para a produção desse tipo de leite, o rebanho tem de ser re-selecionado, com a genética de cada vaca comprovada através de teste de fio de cabelo. A nova seleção é estabelecida e comprovada para que o produto final possa ser vendido como leite especial.

Um estudo em adultos chineses com intolerância fez o seguinte experimento:

os participantes consumiram 240 ml de leite duas vezes por dia durante 2 semanas. Os que consumiram leite comum relataram piora em mal estares de estômago. Os que consumiram o leite A2 sinalizaram que não tinham nenhuma alteração nos sintomas após o consumo.

No Brasil, produtores de leite e indústria já começam a se mobilizar no sentido de desenvolver pesquisas para elucidar melhor os efeitos da beta-caseína A1 e também para selecionar animais que possuem o alelo A2, ou seja, aqueles que produzirão leite A2, para utilização em programas de seleção genética e em cruzamentos.

O custo relativamente baixo e a rapidez dos testes feitos no leite, para detectar a presença de A2, serão aliados fundamentais para a comercialização do “leite A2”, caso sejam comprovados seus benefícios nos quadros de intolerância.