

Além da sede: as tendências que estão redesenhando as bebidas não alcoólicas no Brasil
@Marketing Globalfood
As bebidas não alcoólicas deixaram de servir só para matar a sede. Hoje elas ocupam o lugar da sobremesa, do lanche da tarde e até do drinque no happy hour. Para quem desenvolve produtos, a pergunta mudou: não basta saber o que o consumidor bebe, é preciso entender quando, onde e para quê.
Os números confirmam a virada. Os refrigerantes ainda lideram, com R$ 50,1 bilhões em vendas no varejo em 2025, mas o crescimento está em outras prateleiras. Entre 2020 e 2024, o valor das vendas de água engarrafada cresceu em média 18,8% ao ano, seis vezes o ritmo dos refrigerantes (3,1%).
Fonte: Mintel, Hábitos de Consumo de Bebidas Não Alcoólicas – Brasil 2026, com dados de IBGE, Nielsen e SA+ Ecossistema de Varejo
Sucos, cafés, chás e infusões também cresceram entre 9% e 12,4% ao ano no mesmo período. Salvo indicação em contrário, os dados deste artigo vêm do relatório Hábitos de Consumo de Bebidas Não Alcoólicas – Brasil 2026, da Mintel. A seguir, as quatro tendências que mais mexem com a indústria — e o que cada uma pede de quem formula.
Menos álcool, novas ocasiões
O brasileiro está bebendo menos álcool, e os jovens puxam a fila. Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), 64% dos brasileiros afirmaram não ter bebido álcool em 2025, contra 55% em 2023. Entre 18 e 24 anos, a abstinência saltou de 46% para 64% no mesmo intervalo.
Menos álcool não significa menos vida social: o consumidor segue indo ao bar e à festa, só troca o que vai no copo. Entre quem reduziu o álcool no último ano, sucos (71%) e refrigerantes (68%) são os substitutos mais citados. Água com gás, bebidas prontas para beber e cerveja sem álcool vêm logo atrás.
Fonte: Mintel, junho de 2026 · base: 522 usuários de internet com 18 anos ou mais que reduziram o consumo de bebidas alcoólicas no último ano
Falta, porém, oferta à altura da ocasião. Quatro em cada dez brasileiros dizem se sentir pressionados a beber em eventos sociais, e um refrigerante comum raramente parece adequado para um brinde. Espumantes de chá, cafés gelados em festivais e harmonizações sem álcool em restaurantes mostram como o mercado começa a responder.
O desafio técnico é entregar complexidade sem o álcool. O etanol contribui para o corpo, a sensação de calor e a liberação de aromas; sem ele, a bebida tende a parecer rala. Amargor, notas botânicas, acidez bem construída, efervescência e textura são as ferramentas para chegar a um perfil adulto.
Prazer no copo
Para 76% dos consumidores, tomar uma bebida de que gostam é tão satisfatório quanto comer algo saboroso. Não à toa, o copo começa a disputar espaço com a sobremesa. Quase um em cada quatro brasileiros inclui as bebidas doces quando fala de sobremesas, e 51% deles as tomam ao menos uma vez por semana.
A Geração Z lidera a mudança. Quase metade desse público (46%) quer uma bebida que melhore o humor, e 31% valorizam o visual. Para esses jovens, a bebida doce mata a vontade de sobremesa com menos formalidade, menos culpa e, muitas vezes, menos dinheiro.
Fonte: Mintel, junho de 2026 · base: 1.983 usuários de internet com 16 anos ou mais que beberam bebidas não alcoólicas nos últimos 6 meses
Redes de chá de origem asiática se multiplicam no país, com bebidas que apostam em sabor, textura e visual. Nos Estados Unidos, viralizaram as dirty sodas, refrigerantes customizados com xaropes e cremes. E lançamentos pelo mundo já trazem sabores de confeitaria, como pistache, crème brûlée e pudim.
Para quem formula, é um território fértil. Aromas que evocam sobremesas, cremosidade, inclusões como pérolas, gel ou pedaços de fruta, camadas e cores ampliam a experiência. A condição é que tudo se mantenha estável do envase ao último dia de prateleira.
Menos açúcar, mesmo prazer
Reduzir o açúcar virou quase consenso. O interesse por bebidas sem adição de açúcares ou adoçantes chega a 85%, e por bebidas sem açúcar adoçadas com adoçantes naturais, a 83%. Entre pais e mães, 68% evitam ativamente dar bebidas açucaradas aos filhos.
A pressão também vem da reforma tributária. O Imposto Seletivo, criado pela LC 214/2025, deve passar a incidir sobre bebidas açucaradas no início de 2027. A Fazenda sinaliza manter a carga atual em 2027 e definir novos percentuais a partir de 2028.
Se a carga subir, o aumento tende a chegar à gôndola, com peso maior sobre a classe C, a que mais consome refrigerantes. Reformular agora é ganhar tempo.
O desafio vai além da doçura. Tirar açúcar mexe com corpo, sensação na boca, equilíbrio com a acidez e percepção dos aromas. Por isso, boas reformulações raramente se resolvem com uma troca simples de ingrediente.
Elas combinam adoçantes naturais, moduladores de sabor e ingredientes que recompõem o corpo da bebida. Outra rota é educar o paladar para perfis menos doces, apoiados em frutas, especiarias e ingredientes naturalmente adocicados.
Nutrição no copo
Três em cada quatro consumidores (75%) têm interesse em bebidas que substituam uma refeição ou um lanche. E 87% se interessam por bebidas com alta densidade de nutrientes. A conveniência é o ponto comum, mas as motivações mudam conforme o público.
Pais e mães buscam praticidade para alimentar os filhos fora de casa, e entre eles o interesse sobe para 83%. Os fisicamente ativos, que já somam 53% dos brasileiros segundo o Datafolha, buscam hidratação, reposição de eletrólitos e recuperação.
Entre usuários e ex-usuários de medicamentos agonistas de GLP-1, o interesse chega a 90%. Eles comem porções menores e precisam garantir o aporte de nutrientes, sobretudo no café da manhã e nos lanches.
Proteínas e fibras formam a dupla mais promissora. As proteínas estão associadas à saciedade e à manutenção da massa magra; as fibras, ao bom funcionamento do intestino. No Brasil, já chegaram às prateleiras refrigerante zero com fibras, suco integral com goma acácia e cappuccino com proteína.
A naturalidade ajuda a vender esses benefícios: 63% dos consumidores pagariam mais por bebidas feitas com ingredientes 100% naturais. Ingredientes reconhecíveis traduzem benefícios complexos sem lotar o rótulo de alegações.
Enriquecer, porém, exige técnica. Proteínas tendem a sedimentar ou gelificar durante o tratamento térmico e a estocagem, fibras podem alterar a viscosidade e minerais podem trazer notas metálicas. Estabilidade, solubilidade e sabor decidem se o produto funciona na gôndola e no paladar.
O que une essas tendências
A bebida que vai ganhar espaço é a que entrega mais de uma coisa ao mesmo tempo. Sabor de sobremesa com menos açúcar, nutrição em formato prático, sofisticação sem álcool, funcionalidade com ingredientes que o consumidor reconhece.
E tudo isso a um preço acessível, com nova tributação a caminho e custos de embalagem sob pressão. Para a indústria, isso significa formulações mais complexas, com mais variáveis em jogo e menos margem para erro. É aí que a escolha do parceiro de ingredientes faz diferença.
Como a Globalfood apoia essa transformação
Na Globalfood, tendência só vira produto quando a formulação fecha: sabor, estabilidade, custo e escala. É nesse ponto que trabalhamos com a indústria de bebidas, do conceito ao teste em planta-piloto.
Para as ocasiões sem álcool, a vertical de Cervejas reúne enzimas, leveduras Lallemand, extrato de malte PureMalt e extratos de lúpulo e ervas Kalsec. São ferramentas para dar corpo, amargor e notas botânicas a cervejas sem álcool e bebidas fermentadas. Soluções de clarificação e estabilização ajudam a manter a qualidade até o fim da vida de prateleira.
Para unir prazer e menos açúcar, a vertical de Lácteos oferece aromas, enzimas e culturas para bebidas lácteas e fermentadas. Combinados, eles ajudam a entregar sabor de sobremesa com menos açúcar adicionado. Para sucos e bases, contamos ainda com os sistemas da vertical de Soluções Culinárias.
Para a nutrição no copo, oferecemos vitaminas, minerais e fibras para enriquecer bebidas, com a parceria da dsm-firmenich na fortificação. Culturas probióticas Lallemand e ingredientes lácteos de especialidade Vitalus ampliam o leque para bebidas com apelo digestivo e nutricional.
Por trás do portfólio estão cinco centros de inovação e dois laboratórios de aplicação, onde testamos cada solução em condições próximas às da sua linha. Assim, sua equipe chega ao lançamento com menos tentativa e erro.
Quer transformar essas tendências em lançamentos? Fale com o nosso time técnico: 5564-1100 ou envie um email para marketing@globalfood.com.br
Fontes: Mintel, Hábitos de Consumo de Bebidas Não Alcoólicas – Brasil 2026 (outubro de 2026); Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA); Datafolha; Portal da Reforma Tributária (27 de outubro de 2026).
O artigo, Além da sede: as tendências que estão redesenhando as bebidas não alcoólicas no Brasil, foi publicado em 28 de outubro de 2026



