READY TO DRINK.
UM MERCADO LÍQUIDO E CERTO. VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA ELE?
A mudança no consumo: o que os dados
indicam sobre o mercado de bebidas alcoólicas no Brasil.
Fonte: Mintel
Tendências de consumo: saúde, moderação e novas ocasiões
Há um ajuste de hábitos em curso. Dois números ajudam a dimensionar o movimento:
- 48% dos consumidores dizem estar consumindo menos álcool (com maior redução entre pessoas mais jovens).
- 15% afirmam optar por bebidas de baixo ou nenhum teor alcoólico.
Uma tendência mundial, na verdade.
Esses dados não significam, necessariamente, retração de interesse por bebidas, mas sim uma mudança no “como” e no “quando”. A demanda tende a migrar para produtos que entreguem:
- controle de consumo (teores alcoólicos mais baixos);
- harmonização com refeições e momentos do dia em que um teor muito alto perde espaço;
- experiência padronizada, sem depender de preparo por um barman ou similar.
Há também um deslocamento relevante para o consumo no lar. Pesquisas recentes indicam que 39% das pessoas hoje consomem mais em casa do que fora, e que 45% bebem sozinhas para relaxar.
Cresce a importância de embalagens, propostas conceituais inovadoras e comunicação para as bebidas que inspiram o consumo doméstico, sem perder a capacidade de performar em encontros sociais.
Preço x marca: critérios mudam conforme o local de consumo
Os dados mostram que preço e marca têm pesos diferentes dependendo da ocasião e do canal.
No consumo fora de casa, o preço é um critério de decisão de destaque (49%). Em paralelo, a força da marca aparece de forma relevante em situações sociais e familiares: em reuniões, 57% dos pesquisados indicam as marcas como o atributo decisório mais importante.
Ou seja, em casa o cenário se equilibra: o valor percebido da marca tende a igualar ou superar a atratividade do preço. Em momentos que envolvem relaxamento, “pré-eventos” e encontros de amigos e família, isso sinaliza que a construção de imagem de marca continua decisiva mesmo quando o consumo migra para o lar.
O aumento acumulado de preços entre 2020 e 2024 e a preocupação com os efeitos de reformas tributárias ajudam a explicar por que parte do público reduz o consumo ou busca alternativas.
Um recorte específico reforça isso: 39% dos homens de 25 a 34 anos declaram buscar opções mais acessíveis. Em portfólio, isso costuma exigir arquitetura clara (entrada, core e premium) e mensagens coerentes por faixa de preço.
Os RTDs (Ready-to-Drink) nesse contexto
RTD ou Ready-to-Drink são bebidas prontas para beber, que chegam ao consumidor finalizadas, sem necessidade de misturar destilados, sucos ou outros ingredientes. Esse segmento só faz crescer mundialmente e vem ganhando popularidade entre jovens e millennials, o que se conecta a três pontos do cenário acima:
- mais consumo em casa e em situações informais;
- busca por conveniência (produto pronto);
- preferência por controle e flexibilidade de teor alcoólico em determinadas ocasiões.
Além disso, a experimentação já é relevante: 22% dos consumidores no Brasil disseram ter consumido RTDs no último ano. E há grupos em que a taxa sobe:
- 30% entre estudantes;
- 34% entre as classes AB.
Esses dados sugerem uma combinação de abertura a novidades e capacidade de compra como alavancas importantes, mas não exclusivas. Na prática, RTD pode funcionar como porta de entrada pela conveniência e, ao mesmo tempo, como produto de valor agregado quando associado à marca, ao sabor e à ocasião.
Uma confusão comum no mercado é tratar RTD e “pré-mix/mixer” como equivalentes. A diferença é operacional e comercial: enquanto o RTD é pronto para consumo imediato, o pré-mix/mixer oferece uma base que ainda exige mistura (por exemplo, com um destilado) para se transformar no drink final.
Para o consumidor, isso altera a expectativa de conveniência. Para a indústria e o varejo, muda a lógica de comunicação, posicionamento e comparação de valor. Entre os mais apreciados estão:
- cervejas com sabor (as mais populares);
- RTDs à base de vodca;
- RTDs à base de cachaça.
Esse recorte ajuda a entender como a categoria está sendo construída localmente: ela combina caminhos já familiares (cerveja e destilados conhecidos) com atributos que costumam impulsionar trial e repetição, como variedade de sabor e simplicidade de consumo.
Inovação e personalização: ingredientes locais e experiência controlada
A inovação aparece em duas frentes complementares:
- Ingredientes e referências locais
A pesquisa Mintel cita o uso de ingredientes locais, como mate e guaraná, como caminhos de diferenciação, reforçando uma agenda de produtos com identidade. - Novos produtos e formatos alinhados ao consumo leve
São citados exemplos como Tanqueray Gin Bossa Nova (com notas de goiaba e capim-limão) e Brutal Fruit Spritzer (Ambev), associados à busca por bebidas com teor alcoólico menor e proposta mais inspiracional.
Além disso, há sinais de busca por personalização “simples”. Entre os mais jovens, 23% dizem usar gelo com sabor e 15% afirmam misturar o próprio drink em casa ou em festas de amigos. Para RTDs e categorias adjacentes, isso pode se traduzir em recomendações de serviço, rituais de consumo e variações de linha, sem complexificar a proposta principal.
Lembre-se: você produz bebidas!
A parceria da Globalfood com seus clientes e com o mercado sempre olha para conteúdos e para a discussão de tendências. Por isso perguntamos: sua indústria está se preparando para ampliar seu olhar e criar:
- Portfólios diferentes para cada ocasião;
- Propostas claras para consumo doméstico, encontros casuais e fora do lar, sem depender de uma única categoria;
- Arquitetura de preço e valor percebido;
- Coerência entre posicionamento, embalagem e comunicação;
- Ver os RTDs como vetor de crescimento?
Onde a Globalfood entra: conteúdo como ativo para decisões melhores
Acreditamos que informações bem organizadas reduzem riscos e melhoram a execução. Por isso valorizamos tanto os dados de mercado:
- para as equipes comerciais (argumentos por ocasião, marca e preço);
- para marketing e inovação (tendências, perfis e sinais de consumo);
- e também para o planejamento (priorização de portfólio e canais).
Em um cenário com consumo mais variado e decisões mais sensíveis a preço e contexto, conteúdo consistente torna-se um ativo de alinhamento interno e de resposta rápida ao mercado.
O artigo, Ready to drink. Um mercado líquido e certo. Você está pronto para ele?, foi publicado em 8 de janeiro de 2026